Maio/Junho de 2019
CERTIFICAÇÃO: RECONHECIMENTO QUE VAI ALÉM DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Conheça o histórico da certificação e por que essa chancela é cada vez mais exigida em diferentes mercados no Brasil e no mundo

Cada vez mais popular em determinados mercados, a certificação foi reconhecida no Brasil como uma possibilidade de integrar diferentes formas de educação, trabalho, ciência e tecnologia, de maneira a se ter um permanente desenvolvimento de aptidões. Historicamente, ela é oriunda de dois grandes movimentos que existiram ao longo das últimas quatro ou cinco décadas. O primeiro deles foi a certificação de algumas profissões. Posteriormente, foram surgindo outros movimentos que iniciaram a certificação de processos, vertente que vemos hoje sendo praticada especialmente nos mercados financeiros e, mais recentemente, no setor de previdência complementar fechada.

O professor Luiz Romero, consultor do Projeto de Autorregulação da Abrapp e responsável por desenhar o primeiro modelo de Certificação Profissional por Experiência do ICSS, explica que no caso de algumas profissões, não basta ter apenas o diploma da universidade ou ensino técnico, mas é necessário possuir outro tipo de certificado que garanta à sociedade e ao mercado que o indivíduo tem as habilidades que se propõe a oferecer.

Já não basta ter o diploma: é necessário possuir outro tipo de certificado que garanta à sociedade e ao mercado que o indivíduo tem as habilidades que se propõe a oferecer

Não basta a formação - Entre as profissões que exigem isso estão médicos, advogados e contadores. "Além de ter o ensino superior, é obrigatório ter a chancela de alguma entidade de mercado que garanta que ele tem a capacidade para realizar aquele serviço", diz. A ideia da certificação se dá justamente pelo entendimento de que a graduação, apesar de necessária, não é suficiente para o exercício profissional.

O artigo “A Certificação Profissional”, de Fábio Aparecido Barbosa, explica que com a expansão das carreiras e com o aumento dos profissionais na América Latina, um vasto panorama de instituições gremiais, sem fins lucrativos de representação, começaram a regular, ajudar na fiscalização e assegurar a qualidade dos profissionais. No Brasil, por exemplo, há conselhos profissionais, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ou o Conselho de Químicos. Alguns colégios também começaram a se ramificar em múltiplas sociedades profissionais que se estruturam com base nas pós-graduações, fundamentalmente nas áreas de medicina e engenharia.

"Essa é uma vertente mais antiga", explica Romero. "Mais recentemente, temos algumas movimentações na onda da ISO (International Organization for Standardization, ou Organização Internacional para Padronização, em português), que é uma espécie de garantia que determinado processo está de acordo com a maneira própria a ser executado. Isso gerou uma cultura de certificação mais ampla, que não só começou em processo, mas se estendeu para o exercício de algumas profissões e habilidades técnicas e gerenciais. No mercado brasileiro, esse tipo de certificação iniciou de forma mais contundente na área de mercado de capitais e bancos", observa.

Assim como os futuros advogados precisam realizar o exame da OAB para estarem habilitados ao trabalho, outros setores começaram a exigir provas de avaliação para que os profissionais exerçam cargos específicos, como ocorreu no mercado financeiro, em 2002, por exigência do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central.

Certificação por competência - O mercado financeiro fortaleceu a cultura da certificação profissional no Brasil no início dos anos 2000. Determinados profissionais de bancos de investimentos e comerciais são obrigados a ter uma certificação que indique que são capazes de oferecer determinados serviços aos clientes, como indicar um investimento, por exemplo. "O conceito é semelhante a um exame de proficiência de língua estrangeira, também popular no Brasil. Você ganha selo e certificado de uma entidade autônoma que garante, através de algum mecanismo de avaliação, que aquela pessoa tem determinadas competências para as quais ela está se oferecendo para prestar serviços".

Mais recentemente, houve no Brasil o movimento de certificação de profissionais que atuam com governança corporativa. Outros nichos também apostam nesse tipo de comprometimento e visibilidade profissional. "Quando você é um engenheiro, arquiteto ou administrador com esse certificado, você coloca isso no seu currículo e cartão de visitas, porque agrega valor. A certificação indica que o profissional domina a técnica de gestão de projetos aplicados nessas áreas", aponta Romero. Assim também nascem as agências de avaliação e credenciamento para melhorar a qualidade da formação e ao mesmo tempo colocar instituições em graus de qualificação profissional.

Referência internacional - Esse tipo de certificação no Brasil nasceu muito inspirado pelo modelo norte-americano da Financial Industry Regulatory Authority, corporação privada que atua como uma organização autorreguladora do mercado financeiro nos Estados Unidos. No mercado internacional, os processos de certificação, tanto obrigatórios quanto os de distinção, existem há mais tempo, desde os anos 1960. Eles foram criados para garantir que todos os profissionais tenham um conhecimento mínimo sobre o mercado em que a certificação atua. Ao realizarem um exame e serem aprovados, os profissionais demonstram esse conhecimento mínimo exigido. Normalmente, a certificação vem acompanhada da adesão a um código de ética, o que dá ainda mais credibilidade com o compromisso em relação ao padrão profissional.

Autorregulação - Fortalecendo esse conceito de adesão a códigos que robustecem o compromisso das instituições que atuam em determinados setores, Abrapp, Sindapp e ICSS lançaram o programa de Autorregulação do sistema de previdência complementar fechada, que veio complementar as certificações dos profissionais que atuam na área, oferecidas pelo ICSS. Hoje, o sistema conta com dois códigos de Autorregulação: em Governança de Investimentos e em Governança Corporativa.

Além de aderir aos códigos, as entidades fechadas de previdência complementar podem se candidatar ao processo para obter o Selo de Autorregulação, chancela de qualidade que demonstra, assim, seu comprometimento com boas práticas do sistema e credibilidade perante a sociedade em relação às suas atividades nas áreas especificadas pelos códigos.

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Ano V – número 48 – Maio/junho Jornalista Responsável: Débora Soares