Janeiro de 2018
ENTREVISTA: QUALIFICAÇÃO SEM LIMITE DE IDADE

Aos 81 anos de idade, Epaminondas Mendes obteve a certificação profissional junto ao ICSS. Pai de nove filhos e bacharel em Teologia, ele atua nos colegiados da Petros desde 2007. Qualificou-se para exercer a função de conselheiro, foi eleito membro do Conselho Deliberativo, e depois presidiu o Conselho Fiscal no período de 2013 a 2015. Retornou ao Conselho Deliberativo da entidade, onde tem atuado desde então.

Profissional experiente, Epaminondas mostra-se extremamente dedicado ao regime fechado de previdência complementar. Enquanto os indicadores de longevidade aumentam no Brasil e mundo afora, ele é um exemplo vívido para as novas gerações de que a qualificação constante é sempre necessária, sem limite de idade.

INFORME ICSS: Aos 81 anos, o sr. se candidatou e obteve a certificação junto ao ICSS. Nessa faixa etária, muitas pessoas estão desfrutando plenamente da aposentadoria. O que o anima a se manter ativo profissionalmente e buscar a certificação?

EPAMINONDAS MENDES: Em primeiro lugar, gratidão; em segundo, no passado, ainda nos meus primeiros meses de atividade, muitos colegas me incentivaram a buscar crescer através dos estudos, já que eu era apenas alfabetizado. Os conselhos deram-me ânimo para avançar na vida profissional. Não deu outra; as oportunidades começaram a surgir, e eu soube aproveitar todas as chances que a empresa Petrobrás me deu. Isso me permitiu adquirir liderança ímpar, pois todos me respeitavam. E os que eram meus subordinados executavam as suas tarefas com dignidade e respeito.

Com isso, ao me afastar da empresa, fui decisivo em continuar operando nas áreas onde eu pudesse defender todos aqueles que precisavam de apoio. Por essas razões é que passei a administrar uma associação de aposentados da Petrobrás, desde o ano de 1989. Lá, tive a oportunidade de evoluir e os aposentados solicitaram que eu me candidatasse ao cargo de Conselheiro da Petros. Em 2007, fui eleito Conselheiro Deliberativo na qualidade de suplente do então titular. Dr. Yvan Barreto de Carvalho.

Em 2011, fui eleito para o Conselho Fiscal, órgão que presidi até 2015. Em seguida, fui eleito pela categoria como Conselheiro Deliberativo titular.

Qual a sua visão sobre o papel do ICSS na aferição dos conhecimentos dos profissionais do sistema?
Defendo e continuo a entender que o ICSS é um Instituto de muita valia e eficácia no trato das qualificações daqueles que participam dos Órgãos Estatutários das EFPCs.

Poderia contar como foi o seu primeiro contato com a Previdência Complementar Fechada?
Na minha juventude, soube que existia uma caixa de pensão dos Ferroviários. Então, a partir daí, coloquei em minha mente que seria de grande valia a criação de um Instituto de complementação dos salários dos trabalhadores. Em seguida, surgiu a caixa do Banco do Brasil. Em 1969, foi feita uma grande Assembleia dos acionistas da Petrobrás e nesta Assembleia foi criada a Fundação de Seguridade Social da Petrobrás - Petros. Tão logo no dia 1º de julho de 1970, este meu sonho se realizava, e assim fui um dos primeiros a aderir. Logo, o meu contato com a Previdência Complementar começou na década de 1960.


O sr. se aposentou há 38 anos. Por que decidiu continuar ativo no sistema, sempre se qualificando e atualizando conhecimentos?
Todo profissional, para cumprir com o dever fiduciário, não pode parar no tempo e no espaço. Por esta razão, ele deverá sempre estar se atualizando, porque inclusive, a cada ano, as metodologias das aplicações vão se modernizando. Um bom profissional deve se atualizar.

O sr. se considera um exemplo para as gerações mais novas, por sua disposição e desejo de contribuir para a sociedade?
Considero-me um paradigma à juventude, considerando que o futuro da humanidade dependerá de estar muito preparada e consciente das suas responsabilidades, para que se possa ter uma melhor qualidade de vida.

Com o aumento da longevidade da população brasileira, o idoso terá papel cada vez mais relevante na economia. Em sua visão, nosso país valoriza o idoso e está preparado para absorver todo o seu potencial?
Infelizmente, os nossos governantes não dão a atenção adequada aos nossos idosos, não considerando que eles foram no passado o sustentáculo da economia brasileira. Inclusive, tentam reduzir as possibilidades do idoso ter uma existência de melhor qualidade, a exemplo da saúde. O que assistimos pelos meios de comunicações é um total abandono dos direitos à saúde, eles (os idosos) enfrentando intermináveis filas nos postos de atendimento à população. Planos de saúde não estão ao alcance financeiro dos aposentados e pensionistas.

Gostaria de deixar alguma mensagem final?
Sim. Para que o nosso Brasil possa sair desta encruzilhada, os governos têm que investir pesadamente em Educação, Saúde e Segurança sem, contudo, colocar o ônus destes investimentos criando mais impostos.

Voltar

ICSS 2015 - Todos os direitos reservados
O Informe ICSS é uma publicação mensal do Instituto de Certificação Institucional e dos Profissionais de Seguridade Social.
Ano IV – número 36 – Janeiro Jornalista Responsável: Débora Soares