Fevereiro de 2016
ME CERTIFIQUEI: FERNANDO RIBEIRO, CONSELHEIRO DA CENTRUS

Aos 84 anos, Fernando Ribeiro é um exemplo de compromisso. Sua relação mais próxima com a Previdência Complementar começou em 1967, quando a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) instituiu o regime de contribuições.

Em 1975, passou a integrar os quadros do Banco Central, onde iniciou uma história que se estende até os dias de hoje. Fernando Ribeiro é conselheiro deliberativo da Fundação Banco Central de Previdência Privada - Centrus.

INFORME ICSS: Você acompanhou o surgimento da certificação profissional para os profissionais do Sistema. Como você observou esse movimento? Qual a sua visão sobre a busca por maior qualificação dos profissionais do Sistema, principalmente no momento atual?

Fernando Ribeiro: Quando eu tomei posse como conselheiro deliberativo, em minha terceira passagem pela Centrus, essas exigências surgiram. O assunto de certificação movimentou todas as entidades. Se você olhar bem para as Leis Complementares nº 108 e 109, você verá que se exige do conselheiro uma qualificação muito elevada. Ele tem que ter conhecimento de economia, atuária e legislação. Ele é um profissional de quem se  demanda muita coisa.

Se cada um ficasse com essa incumbência de, por si próprio, se preparar para o cargo, talvez todos marchassem em direções diferentes. Então, como realmente qualificar o conselheiro de tal forma que ele possa cumprir adequadamente as suas funções? A certificação e a habilitação me parecem caminhos adequados.

Por que os gestores devem buscar o aprimoramento contínuo?
Hoje tudo o que se fala em relação a profissionais de conselhos e diretoria executiva é no sentido de eles zelarem basicamente pelo patrimônio dos participantes. E para zelar pelo patrimônio dos participantes, é preciso que contar com o quê? Com a qualificação desses conselheiros e desses diretores. Os cursos que são desenvolvidos com vistas à certificação, os encontros patrocinados pela Abrapp, todas essas iniciativas são muito importantes porque direcionam os esforços.

Considero muito importante que o setor de previdência complementar e suas lideranças - dirigentes, conselheiros, diretores, gerentes, analistas – se preocupem com a qualificação e a certificação. E, agora, inclusive, com a necessidade da habilitação feita pelo órgão supervisor.

Como você vê o papel do conselheiro eleito nesse contexto?
Eu, muitas vezes,  ouço as pessoas dizerem: “ah, eu sou representante do corpo de empregados. Eu tenho que defender os empregados”. Sim, é verdade. Mas além de defender o grupo de empregados ele tem que defender o quê?  A existência da instituição. Ali ele não é um conselheiro dos empregados. Ele é um conselheiro eleito pelos empregados ou pelos funcionários, com qual finalidade? De, exercendo aquelas funções que a Lei lhe atribui, permitir que a entidade não entre, por exemplo, em déficit. Na verdade, é muito difícil também, dentro de um processo democrático, que as pessoas ousem se candidatar. Então, há também uma natural tendência de se transferir a algumas pessoas essas responsabilidades, que são muito pesadas.

Você é um exemplo para as novas gerações. O que o motivou a permanecer no Sistema e sempre continuar se qualificando?
Quando eu me aposentei do Banco Central, em 1986, eu praticamente não parei de trabalhar. Eu já trabalhava no sistema de controles internos do Ministério da Fazenda, também trabalhei no Serpro como auditor geral e no próprio Serpro eu fui conselheiro deliberativo. Então, a Previdência, pela minha formação profissional, é algo que me atrai muito.

Como vê a relação entre conselheiros e diretores?
Os conselheiros têm diversas responsabilidades. Você sempre deve manter uma convivência pacífica, respeitável, com os dirigentes da entidade. Você não está lá para simplesmente contestar tudo, mas para examinar o problema, do ponto de vista da instituição.

Então, essa convivência deve ser democrática e de cidadania. O conselheiro deve entender que ele está ali para defender a instituição. É muito provável que alguém venha a ter ideias mirabolantes sobre benefícios, mas o conselheiro precisa ponderar: esse benefício tem suporte nas reservas? Tem suporte nos recursos garantidores? Esse tratado de convivência que deve ser estabelecido é vital para o exercício do cargo.

Como você vê a questão da profissionalização dos conselhos?
O processo democrático da escolha de parte do colegiado é uma grande conquista de todos nós. Penso também que a certificação é um instrumento poderoso de profissionalização. Em princípio, nada impede que uma fundação tenha um consultor numa determinada área, não é mesmo? Por exemplo, aquele diretor que é responsável pela aplicação do ativo, nada impede que esse diretor ou que essa diretoria conte com um expert em determinado assunto. Agora, é muito mais importante que ela prepare internamente as pessoas para terem esse tipo de conhecimento que pode resvalar na administração.

A nossa fundação, por exemplo, tem um sistema de compliance adequado, tem conselhos fiscal e deliberativo atuantes e temos gerentes preparados. Ela também tem uma consultoria atuarial respeitada e respeitável. Poderemos ter no futuro, quem sabe, o conselheiro profissional.

Qual a sua mensagem final?
Quando o programa geral de previdência foi criado no Banco Central, se dizia que a finalidade dele era oferecer ao aposentado condições de manter aquela situação que ele tinha quando estava em atividade. E essa grande perspectiva, essa grande meta, todos se empenhavam em cumpri-la.  E o processo de certificação, o processo de qualificação, e o processo de habilitação são vitais para que essas pessoas que nos representam, a nós associados, tenham em vista que se persegue o bem maior que é a segurança na velhice.

Então, eu digo sempre que o princípio da Previdência Complementar é esse: é manter na velhice condições sociais, condições humanas, de você prover continuar provendo, a sua sobrevivência e a sobrevivência da sua família. E tendo a certeza de que contribuiu para isso e que os recursos que colocou na instituição foram bem aplicados.

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Ano II – número 16 – Fevereiro Jornalista Responsável: Débora Soares
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